Palavra-cura Cada palavra é uma curaPalavra memória, palavra verboPalavra poesia, palavra terapiaCada palavra é loucura. Cada palavra é semente brutaPalavra mole, palavra duraPalavra desordeira, palavra absurdaCada palavra é escuta. Cada palavra é semeaduraPalavra doente, palavra finalPalavra dolente, palavra não senteCada palavra é tortura. Eduardo Sarmento, Recife (PE)
Escritos do público
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Helenice Priedols
Quarentena enquanto o tempo está paradoe a vida se dobra para o lado de dentroentre lavar sacolas de compraspintar, costurar, cozinharouvir as bachianasum rock ou algum mantrapassam por mim dias e noitesde uma longa quarentenaque já vai a cem dias lá fora há tamanho desperdíciode vidas que poderiam ser poupadashá carência de abrigode consolode socorrode …
MRK
O medo é o moribundo normal “Sou previlegiado”. Em home office, seguro em casa, protegido do mundo pandêmico, olho toda tarde pela janela. Escorado numa rede de fios de nylon, repito esse pensamento como um mantra oco e sem luz. Lá em baixo, vai mais um motoboy carregando a comida de outro previlegiado. Nervoso, avança …
Karu Petrucelli
Não é guerra.Não há exército nas ruas nem bomba no céu mas há o toque de recolher. Apenas uma hora para sentir o sol, o corpo se alongar e a mente se esvaziar um pouco.Parece sim que o dia está lindo. Mas não. Limitados, incertos, inseguros. Dizem que a gente vai se adaptar. Acredito!Dias sim …
Ricardo Padilha
Todos os dias parece que escrevo uma carta de despedida.Ela não se materializa, mas existe.Sim é forte. Sim, é dor.Às vezes as não escrevo simplesmente por amor. Ricardo Padilha, Rio Verde (GO)
Ana Cristina Marzolla
Momentos de medo, de saudades de sair sem máscara, de fazer coisas simples como tomar café com uma amiga. Momentos de grandes aprendizados, de reflexão. Muita saudade do trabalho presencial, de encontrar pessoas na rua, corredores, etc., de papear. Ana Cristina Marzolla, São Paulo (SP)
José Domingos de Souza
Agentes invisíveisEles chegam sem se verE sutilmente se instalamBuscando partes do ser.Entrando por via aérea,Instalam-se sem permissão,Encontram as chaves das célulasE as levam à exaustão (extinguem a respiração).Invisíveis seres (ou não seres?) sãoA cumprir cega missão:A missão de derrubar a fortaleza celular.Seu sucesso é bem possível,Mas se meu corpo tombarAinda assim terei vida,E por isto …
Amanda Carneiro
O vazio que eu sinto não é o das ruas. Aliás, vazias elas nunca estiveram de verdade. Mesmo quando a doença chegou no nosso país, no nosso estado, e mesmo quando foi decretado que todos deveriam ficar em casa. O vai e vém continuou e continua como se fosse só uma questão de escolha: acreditar …
Angélica Angelo
Perdemos a noção do tempoTodos os dias ficaram parecidos,até o sábado e domingo.Não há mais abraço, beijo, contato.O que nos mantinha distantes é agora o que nos aproxima.Todos a olhar o mundo pela janela e a perceber o colorido de um entardecer no outono.Todos a pedir uma cura.Todos tentando fugir da loucura.Todos a imaginar uma …
Sérgio Pantolfi
Duas muda de roupa e tá bom Por mais que o título engane, isso não é um texto sobre moda. Até porque se eu estivesse aqui pra falar de moda só sairia abobrinha. E não é nada parecido com aquele papo de ‘‘cada um tem seu estilo’’ ou ‘‘moda é relativo’’, é que simplesmente eu …










