Escritos do público – A PALAVRA NO AGORA

Ferramentas para ritualizar, expressar e comunicar a dor para o alento

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Escritos do público

Marcelle Esteves

Carlinhos está em todas. Não perde uma. Panelaço a favor, contra, Perfil  rede social de luto, laço de todas as cores, faixa embaixo de sua imagem, me representa, não me representa. Frase efeito nas redes sociais, hashtag…. no nosso grupo de whatsapp aqui do prédio, ele chega a ser cansativo.  Antes mesmo da gente terminar …

Escritos do público

Marcelle Esteves

Lurdes, minha vizinha do sétimo. O show pirotécnico anunciava a chegada do ano novo nos diversos cantos do mundo naquele réveillon de 2019.  Entre champagne abraços e ceia, Lourdes Maria  refletia sobre o ano que havia passado. 2019 trouxe a tragédia de Brumadinho, a extinção de cachorros de rua na Holanda,  o incêndio na Catedral …

Escritos do público

Senhorita Reprimida

A ordem e o progresso jamais nos representaram O suor e o enfado consolidaram-se em nossos rostos. Trabalhamos em dobro e recebemos somente desgostos. Encenamos o ato mais perigoso : enquanto uns vivenciam  a penúria da existência, outros beneficiam-se da ocultação de evidências. Já não suportamos : um dia é pior do que outro. Somos …

Escritos do público

Marcelle Esteves

A vizinha do terceiro andar Mia não está nada bem hoje. De um jeito meio torpe, egoísta até ( que ninguém me ouça), eu fico aliviada que não estou pirando sozinha.  Nao e o  seu cabelo meio loiro, meio grisalho, meio castanho (não sabia que ela era morena), ou a roupa meio larga e largada …

Escritos do público

Marcelle Esteves

Seu Arthur, do segundo andar Quando o interfone tocou eu achei que era o delivery do hortifruti, mas enganei-me. Era o Seu Arthur. Antes de dividir o que o incentivou a essa ligação, deixe-me o apresentar. Arthur deve estar na casa dos setenta. Ele é um homem forte, ativo, e muito auto suficiente. Conversa com …

Escritos do público

Cláudio Silvério

Valkírias essa noite, tive medo da morte. isso lhe soa óbvio? é antagônico. fiz vigília pela janela, sem fechar os olhos um só minuto. as folhas das árvores estavam imóveis. não havia um sopro de vento. ao amanhecer, eram poucos nas ruas, bem poucos. todos mascarados. eram gigantescos os braços; não abraçavam. estendidos, serviam apenas …