Hoje


Percebo nesse branco lírio uma indulgência nova.
Os rotos sem faces, a boca oculta por um anteparo incômodo.
Proteger-se, proteger-se, dizem os olhares atônitos, ante a hecatombe – pesadelo sem previsão de término.
Acordo pensando a poesia
Dou-me conta que, conhecê-la, seria recriá-la como outra e outra obra dentro do meu pequeno arcabouço.
Sem abraço. Sem toque. A ciência como única e maciça reserva.
Aquela erva florindo como se cura.
O silêncio balbucia a morte mascarada e indisfarçável dobrando a esquina.
O medo. A fome. Sem luz.
Tão grande essa Terra onde ninguém é mais que ninguém.
Deus.
[Pensamentos dobrados por hoje. Cansaço]
O lírio salva mais um dia.

Tere Tavares, Cascavel (PR)