Nas arquiteturas do tempo, nada é definitivo. Nem mesmo a morte.

Vigio o ar que me espera lá fora. Onde  tudo é ameaça, desespero, angústia. Ultrapasso as horas, as extremas demoras. Permaneço movendo-me na sacralidade, na meditação cadenciada e inclemente. Leio, escrevo para reordenar a fala e silenciar o receio. A pergunta é um até quando. Que dia, que noite trará a frieza do ir-se ou a tepidez de um ninho para continuar vivendo?

Saio de casa somente para o estritamente necessário, com os aparatos de defesa, se é que isso é possível. Vejo pessoas amedrontadas, suspeitosas, como se fosse anormal encorajar-se a pôr os pés na rua. Resisto. Minha intenção em ver como tudo isso está afetando a cada um, ao Mundo, me faz persistir. Não me renderei, exceto que Deus me recolha. A minha trégua será sempre a Arte – nunca perder a linha que tece os sonhos. Prosseguir, sem olhar para trás. Só assim valerá a pena ter nascido e estar nessa Terra.

Tere Tavares, Cascavel (PR)