A impermanência se faz presente a cada momento. 

A vida é dinâmica e isso a torna surpreendente. A cada despertar, ao abrir a porta, eu vejo o jardim trazendo novos matizes, seja numa roseira com novos botões ou num hibisco menos esverdeado [converso longamente com ambos] – inverno, primavera, não importa a estação – isso parece acompanhar minhas próprias metamorfoses.  Percebo a cada confirmação do olhar que, tanto eu quanto o jardim continuamos embevecidos de vida. Urge encontrar uma nova forma de elevar a consciência e ressignificar a dor. As palavras se perdem e se isolam. Não há aridez, nem silêncio. Tudo reside numa não conclusão, no indeterminável assombro da incoerência.

O referencial imaginário é fértil e promove a ruptura da estagnação que me quer reclusa, reduzida, então, voo do inexistente como se numa linguagem disposta noutra linguagem, uma ficção heterogênea que deixo escapar pelos lábios, como a magia fixa de um astro que flui ébrio e fremente de afirmações errantes. O mistério nostálgico da utopia e da liberdade dialética traz-me uma nova música, um sim dizível para o criativo, para o inesgotável intensivo do sentir-se humano, transcendendo a própria palavra, refletindo-se, refluindo-se na consonância ramificada que ainda desconheço, mas prevejo: há frutos e eles se chamam leitura. Uma estranha alegria me permite o vislumbre de outras vozes que me confortam para, talvez, outro amanhã. Como se um galho de sálvia que cresce indiferente e belo.

Tere Tavares, Cascavel (PR)