A liberdade. Como gostaria de respirá-la nesse violino recluso. Um novo despertar se faz necessário. O silêncio sobrevoa as árvores e se planta, pacificamente, nos cômodos da casa. Parece não haver nada para sustentar a geografia humana tão fragilizada nesses tempos doentios. Dentro de tudo sustenta-se um futuro sombrio e oco. Qual o momento? Qual história virá contar, com irrefutável exatidão, as vidas perdidas? Quem definirá o grau de crueldade dessa pandemia? Opto por viver um dia de cada vez e ocupar-me em solidariedade aos que sofrem, como se a mim mesma. Tenho esperança, intempéries internas e uma sensação terrível de que poderei ser a próxima vítima, um mero número a elevar as temíveis estatísticas. A música é uma lassitude emblemática e brusca. Seria isso o prenúncio da fatalidade? Tomo coragem e arrisco uma saída à rua. Evito as pessoas. Levito nas ausências, numa caminhada no bosque. Tranquilizo-me em meio ao verde, mas a nuvem, a nuance, a realidade que nunca se cansa de estar ao sol: essa estrela que estala os raios sobre a minha pele e me lembra e me faz viva o suficiente para regressar e, tranquila, libertar o meu violino. À janela.

Tere Tavares, Cascavel (PR)